eu fui apresentada a literatura erótica por um estranho. sempre soube que não gostava de pornografia e acho que por isso fiquei meio preocupada em me enveredar por essas trilhas, mas quando li anais nin percebi que pornografia, vulgaridade e erotismo são coisas muuuuuito diferentes.18.7.10
a trilogia do amor - betty milan
eu fui apresentada a literatura erótica por um estranho. sempre soube que não gostava de pornografia e acho que por isso fiquei meio preocupada em me enveredar por essas trilhas, mas quando li anais nin percebi que pornografia, vulgaridade e erotismo são coisas muuuuuito diferentes.16.7.10
querido john - nicholas sparks

A Rosa do Povo - Carlos DRUMMOND de Andrade
A poesia é deixar-se ver, verdadeira alma das palavras, numa sensibilidade que ultrapassa ao toque. E as vezes não só essa sensibilidade é participativa mas o que existe por detrás de todas as palavras.
Drummond é poesia inteligente, na primeira leitura faz sentir o "toque aveludado" da palavra, mas na segunda leitura a poesia que antes tinha toda uma beleza gramatical passa a fazer sentido cada estrofe, desvendando o mistério do "labirinto" interior que ela representa verdadeiramente.
Assim é no poema:
Os Últimos Dias
Que a terra há de comer.
Mas não coma já.
Ainda se mova,
para o ofício e a posse.
E veja alguns sítios
antigos, outros inéditos.
Sinta frio, calor, cansaço;
pare um momento; continue.
Descubra em seu movimento
forças não sabidas, contatos.
O prazer de estender-se; o de
enrolar-se, ficar inerte.
Prazer de balanço, prazer de vôo.
Prazer de ouvir música;
sobre papel deixar que a mão deslize.
Irredutível prazer dos olhos;
certas cores: como se desfazem, como aderem;
certos objetos, diferentes a uma luz nova.
Que ainda sinta cheiro de fruta,
de terra de chuva, que pegue,
que imagine e grave, que lembre.
O tempo de conhecer mais algumas pessoas,
de aprender como vivem, de ajudá-las.
De ver passar este conto: O vento
balançando a folha; a sombra
da árvore, parada num instante,
alongando-se com o sol, e desfazendo-se
numa sombra maior, de estrada sem trânsito.
E de olhar esta folha, se cai.
Na queda retê-la. Tão seca, tão morna.
Tem na certa um cheiro, particular entre mil.
Um desenho, que se produzirá ao infinito,
e cada folha é uma diferente.
E cada instante é diferente, e cada
homem é diferente, e somos todos iguais.
No mesmo ventre o escuro inicial, na mesma terra
o silêncio global, mas não seja logo.
Antes dele outros silêncios penetrem,
outras solidões derrubem ou acalentem
meu peito; ficar parado em frente desta estátua: é um torso
de mil anos, recebe minha visita, prolonga
para trás meu sopro, igual a mim
na calma, não importa o mármore, completa-me.
(...)
E a Tristeza de deixar os irmãos me faça desejar
partida menos imediata. Ah, podeis rir também,
não da dissolução, mas do fato de alguém resisti-lhe,
de outros vivem depois, de todos sermos irmãos,
no ódio, no amor, na incompreensão e no sublime
cotidiano, tudo, mas tudo é nosso irmão.
O tempo de despedir-me e contar
que não espero outra luz além da que nos envolveu
dia após dia, noite em seguida a noite, fraco pavio,
pequena ampola fulgurante, facho, lanterna, faísca,
estrelas reunidas, fogo na mata, sol no mar,
mas que essa luz basta, a vida é bastante, que o tempo
é boa medida, irmãos, vivamos o tempo.
A doença não me intimide, que ela não possa
chegar até aquele ponto do homem onde tudo se explica.
Uma parte de mim sofre, outra pede amor,
outra viaja, outra discute, uma última trabalha,
sou todas as comunicações, como posso ser triste?
A tristeza não me liquide, mas venha também
na noite de chuva, na estrada lamacenta, no bar fechando-se,
que lute lealmente com sua presa,
e reconheça o dia entrando em explosões de confiança, esque-
[cimento, amor,
ao fim da batalha perdida.
Esse tempo e não outro, sature a sala, banhe os livros,
nos bolsos, nos pratos se insinue: Com sórdido ou potente clarão.
E todo mel dos domingos se tire;
o diamante dos sábados, a rosa
de terça, a luz de quinta, a mágica
de horas matinais, que nós mesmos elegemos
para nossa pessoal despesa, essa parte secreta
de cada um de nós, no tempo.
E que a hora esperada não seja vil, manchada de medo,
submissão ou cálculo. Bem sei, um elemento de dor
rói sua base. Será rígida, sinistra, deserta,
mas não quero negando as outras horas nem palavras
maduramente pensados, os atos
que atrás de si deixaram situações.
Que o riso sem boca não a aterrorize,
e a sombra da cama calcária não a encha de súplicas,
dedos torcidos, lívido
suor de remorso.
E a matéria se veja acabar: adeus composição
que um dia se chamou Carlos Drummond de Andrade.
Adeus minha presença, meu olhar e minhas veias grossas,
meus sulcos no travesseiro, minha sombra no muro,
sinal no meu rosto, olhos míopes, objetos de uso pessoal, idéias
[de justiça, revolta e sono, adeus,
vida aos outros legada.
14.7.10
a história de fernão capelo gaivota - richard bach

9.7.10
Victoria - Rosamunde Pilsher

A gente nasce, cresce, reproduz e morre com o mesmo sonho: Que no final tudo dê certo.
Apesar de toda a vida moderninha, de saia rodada e salto alto, carro próprio, emprego bom, todo mundo sonha com a vida de margarina: um amor para toda vida – no meu caso um moreno alto, bonito e sensual que me ame e eu ame também. Que a vida seja fácil, divertida, linda, feliz, sempre feliz. Que até tenha algum percalço, mas que esse termine rápido com um beijo enxugando a lágrima e à partir daí começaria o primeiro momento do resto de minha vida.
Porém nem tudo são flores, nem todo moreno é alto, nem todo alto é bonito, nem todo bonito é sensual e, estatisticamente falando, a chance de eu amar a quem me ama num mundo com bilhões de pessoas onde eu não tenho nenhum controle sobre o meu coração é um tanto quanto baixa... apesar de acontecer às vezes.
Acontece que essa foi uma semana feliz, em companhia de uma família feliz, em um momento maravilhoso e para mim esses ´´pedaços de vida´´ são o que eu chamo de felicidade.
Sendo assim, em busca de alguns outros ´´pedaços´´ eu me entreguei à Rosamunde Pilsher para viver um conto de fadas enquanto esperava meu vôo, que infelizmente não era para a Escócia.
Dúvida cruel: Porque a maioria dos romances termina no casamento?? Depois dele tudo é lindo ou o romance acaba ali?
6.7.10
Um Copo de Cólera - Raduan Nassar

Acabei de ler meu 18o livro do ano - extremamente atrasada para minha meta de 50 livros em 2010.
O que posso dizer sobre Um Copo de Cólera?
Fascinante!!! A mais perfeita descrição de um ataque de TPM masculina e de como cada um sabe aquilo que o deixa feliz - sem julgamentos alheios.
Vou precisar ler de novo para pegar melhor os detalhes daquela manhã. Mesmo assim não sei se é um livro que eu recomendaria para iniciantes ou alguém não tão apegado aos prazeres da leitura.
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"... e estava assim na janela, quando ela veio por trás e se enroscou de novo em mim, passando desenvolta a corda dos braços pelo meu pescoço, mas eu com jeito, usando de leve os cotovelos, amassando um pouco seus firmes seios, acabei dividindo com ela a prisão a que estava sujeito, e, lado a lado, entrelaçados, os dois passamos, aos poucos, a trançar os passos, e foi assim que fomos diretamente pro chuveiro."
"O corpo antes da roupa", afirma o personagem de Um copo de cólera ao narrar o que acontece numa manhã qualquer, depois de uma noite de amor, quando a aparente harmonia entre ele e sua parceira se rompe de repente. Tensa, contundente, a linguagem de Um copo de cólera alcança tal intensidade e vibração que faz desta narrativa uma obra singular da literatura brasileira, um clássico dos nossos tempos
Sinopse. (http://www.skoob.com.br/livro/4975)
5.7.10
O que cabe em duas malas - Veronika Peters

2:20 da manhã e mais uma vez eu me perco noite adentro por causa de um livro. Dessa vez eu estava em uma viagem interior, num convento na Bavária.
O que cabe em duas malas? Acabei de meu mudar e nesses últimos 2 meses tenho justamente me perguntado por que ou para que juntamos tanta coisa. E ao mesmo tempo, enquanto tento encontrar lugar para meus pertences nesse apartamento sem armários, faço planos de mais aquisições. Até que ponto é necessidade e até que ponto é vaidade ou consumismo puro?
Se hoje, por algum motivo qualquer (que eu secretamente desejaria que fosse um motivo específico), eu precisasse ir com apenas duas malas... o que cabe em duas malas? O que eu deixaria para trás? O que já está enraizado em mim?
Sim, eu queria ser mais humilde e simplista. Não, não sou egoísta e tento distribuir coisas que não uso ou que são mais úteis para outras pessoas, mesmo assim ainda tenho um grande apego material às MINHAS coisas. Funciona como se cada ítem me lembrasse como e onde foi obtido. É como se a história de cada um fosse mais importante que a coisa em si, pois essa história é a minha história, são pedaços da minha vida e ... bom, está soando como desculpa para eu continuar acumulando coisas.
“Nada de garantias, nada de velharias” - frase do livro.
Ainda estou em busca de minhas próprias respostas e como exercício interior farei um levantamento: O que eu levaria em apenas 2 malas???
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"O que faz uma jovem comum abandonar casa, carro, emprego, amigos e um candidato a namora, para entrar num mosteiro? Quem são as pessoas que ela encontra lá dentro? O que sobra de nós no silêncio, longe do burburinho das ruas, da diversão e das expectativas sociais? "
Sinopse retirada da capa do livro.
